SAÚDE MENTAL MASCULINA - 26/06/2026 14:14

"Homem forte também precisa pedir ajuda"; Psicólogo alerta para sinais da saúde mental masculina

Em entrevista ao Atualidades, Abel Peter destacou que o silêncio, o isolamento e a mudança de comportamento podem ser sinais de adoecimento emocional entre os homens
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Durante entrevista ao programa Atualidades, da 103 FM, nesta sexta-feira (26), o psicólogo clínico Abel Peter abordou um tema que ainda enfrenta muitos tabus: a saúde mental masculina. Em alusão ao mês de conscientização sobre o assunto, o especialista chamou a atenção para a necessidade de os homens cuidarem da própria saúde emocional e quebrarem o silêncio diante do sofrimento.

Foto: Marcos de Lima / WH Comunicações

Logo no início da conversa, Abel fez uma reflexão sobre o papel que a sociedade costuma atribuir aos homens.

"O homem passa a vida tentando proteger a família, resolver problemas e assumir responsabilidades. Mas muitas vezes esquece de proteger a única pessoa que dá força para fazer tudo isso: ele mesmo", afirmou.

Segundo o psicólogo, falar sobre saúde mental masculina não significa diminuir a importância da saúde da mulher, mas sim olhar para uma realidade preocupante. Ele lembrou que os homens vivem, em média, quase sete anos a menos que as mulheres e que, em algumas regiões, nove em cada dez mortes por suicídio são de homens.

Cultura do silêncio dificulta a busca por ajuda

Durante a entrevista, Abel destacou que muitos homens foram ensinados desde cedo a esconder sentimentos e acreditar que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza.

"Para a mulher, muitas vezes a dor faz barulho. Ela procura uma amiga, conversa, pede ajuda. Já para o homem, a dor costuma ser silenciosa."

De acordo com ele, esse comportamento faz com que muitos homens procurem formas inadequadas de lidar com o sofrimento, recorrendo ao isolamento, ao consumo de álcool, jogos patológicos e outros comportamentos de risco.

"O isolamento é um dos primeiros sinais que merecem atenção. Muitas vezes ele está sorrindo por fora, mas emocionalmente já não se sente pertencente nem à própria família."

Mudanças de comportamento devem servir de alerta

Abel Peter explicou que familiares e amigos precisam observar mudanças no comportamento masculino. Irritabilidade constante, agressividade, dificuldade para dormir, perda de interesse por atividades antes prazerosas e isolamento podem indicar que algo não vai bem.

"O homem nem sempre diz que está triste. Muitas vezes ele demonstra isso através da irritação, das brigas e da agressividade. Esse também é um pedido de ajuda."

Outro sinal importante citado pelo psicólogo é a anedonia, caracterizada pela perda do interesse por atividades que antes davam prazer.

"Se ele deixou de jogar futebol, de lavar o carro, de cortar a grama ou de passear com o cachorro, isso merece atenção."

Segundo Abel, muitos homens continuam trabalhando normalmente, mas já apresentam sinais claros de adoecimento dentro de casa.

Brasil enfrenta cenário preocupante

Durante a entrevista, o psicólogo lembrou que o Brasil possui um dos maiores índices de transtornos de ansiedade do mundo e lidera os casos de depressão na América Latina.

Ele ressaltou que os problemas emocionais acabam refletindo também na saúde física, provocando insônia, taquicardia, dificuldade para tomar decisões, aumento de acidentes, problemas familiares e até afastamentos do trabalho.

"A ajuda começa quando o silêncio acaba"

Na mensagem final, Abel Peter deixou um apelo para que os homens deixem de enxergar a busca por ajuda como motivo de vergonha.

"A maior vergonha de muitos homens não é perder dinheiro ou enfrentar dificuldades no trabalho. É mostrar sua vulnerabilidade."

Ele reforçou que o silêncio prolongado pode agravar os problemas emocionais e destacou a importância do apoio da família.

"A ajuda começa quando o silêncio acaba."

O psicólogo também orientou mulheres e familiares a acolherem os homens sem julgamentos, oferecendo espaço para que eles possam falar sobre suas emoções.

"Às vezes, o homem só precisa de alguém que escute. Nem sempre é necessário ter uma resposta. A presença e a escuta fazem toda a diferença."

A entrevista reforçou a importância da campanha de conscientização sobre a saúde mental masculina e do incentivo para que mais homens procurem ajuda profissional antes que o sofrimento emocional evolua para quadros mais graves.

Fonte: Marcos de Lima / Rádio 103 FM
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